sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um grande poema de adeus.


Isso tudo é só um grande poema de adeus
Nossa despedida nos persegue
Nossos prazeres são ilusões
Pequenos lapsos de luz
Que pairam pelo universo
E tudo é um grande poema de adeus
Nada mais.

As horas são um adeus constante
A vida em si é pura despedida
Cada palavra, cada escolha
Se torna mais um verso
Desse poema de adeus
Envolto em seda e cetim.

Já que é assim, e vai ser pra sempre
Deixe que o mar te abandone
Deixe que as flores te ignorem
Que a vida é pedaço pequeno
Pequeno demais de tudo
E o adeus é faca cortante
Que corta e corta

Deixe que o mundo seja mais mundo
Em seu quintal de orquídeas
Doce e fatal primavera da minha vida
Deixe que os campos passeiem por seu colo
Sob a dura redenção de seu olhar de veludo
O ultimo lance de escadas para sua morada secreta
Clara e noturna como penumbra que precede o luar
Deixe que venha seus amores pela garganta
E os esparrame sobre o chão de vidro e cobre

A hora marcada palpita em cada embalo de seu coração
Ah Amanda minha, esqueça o adeus e as horas
Não deixei que o tempo nos extermine assim
A sombra do nunca é nossa caçadora fiel e atroz

Invente comigo um novo caos, uma nova forma
Um alimento inconseqüente, um ensaio de morte
Para que sejamos os pais de malte da reminiscência
Eu e você nesse universo de gases e explosões atômicas

Recrie o mesmo sonho todas as noites
Em sua cama vermelha carmesim
Em sua língua desvairada e imortal
Recrie seu sonho por mim, por nós
Deixe o adeus para os outros

Deixe que o céu te despreze
E que a musica jamais soe por você
Que o esquecimento nada combina
 Com belas histórias de amor
Deixe que o dia acabe mil vezes
Tudo isso é só um grande poema de adeus
Uma grande vida de adeus
É ser juiz e júri de si
É estar sentado no banco dos réus

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