sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nós.


Esses pelos no meu corpo
Me mostram a cada dia
O bicho do qual eu sou
E não me há providencia divina
Se eu como:
Sento e cago!
Se eu bebo:
Logo eu mijo!
Se por acaso me corto
Me jorra um sangue vermelho
Tal como boi abatido
Nas câmaras frigoríficas
Espalhadas por aí
Eu menino
Antes ainda da palavra
O leite branco mamava
Nos peitos da mãe
Como mamam os cachorrinhos
Da sua cadela que cria
Na caixa de papelão
No cantinho da cozinha
Cheiro minha comida
Mistura de mato colhido
Com carne morta de bicho
O que mais se come?
Se come vida que se multila!
Se eu corro vem suor
Fedor que exala
Da minha pele enrijecida
Caldo que escorre de bicho
Pelas minhas axilas
Isso pra não falar do coito!
Que é que dá vida a vida
Coitar fornicar penetrar
Ser fêmea e ser invadida
E se melecar toda
Na prática repodutiva
Ser macho e apavorar
Quando passa a fêmea propicia
Sentir o cheiro do cio
Ir suar com ela
Morder ela
Lamber ela
Chupar tudo nela
Cães na rua
Nós na cama
Jogar sua saliva pelo corpo
Em todas as partes
Mastigar o cabelo
Secreções da parte intima
Sai gozo genital
Fecunda o óvulo da vagina
Passa inverno e verão
Mais uma vida nascina
A mamar mais leite branco
Cagar meleca fedida
Arrotar e vomitar
No colo da mãe querida
Que carregou na barriga
Toda esa energia
Que vem povoar a terra
E dar continuidade
À essa coisa esquisita
Que é viver
Comer cagar mijar feder
Embrenhar a fêmea amada
Pra depois retroceder
E começar tudo de novo
Que é como o mundo deve ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário