sábado, 25 de agosto de 2012

Aviso aos homens.


Avise ao homens que minha vida ainda é plena,
E que minha morte é tardia.
Avise a todos aqueles que me julgaram tolo
Enquanto eu era generoso
Que não há nada que caíba mais a um homem que sua humildade
E que a tolice, em muitos casos é uma benção.
Avise aqueles que dizem que amaram mais que eu,
Que o amor é claramente abstrato
E como dizer se alguém amou mais o mar do que eu amei?
Como dizer se alguém amou mais a vida do que eu amei?
Avisem à eles que eu pouco me importo com sua vã filosofia
Que eu não ligo para o seu Deus, nem para os seus dêmonios
Digam para aqueles que me achavam louco
Que a sanidade deles não trará nenhum brilho eterno
Avisem-os que a mesma carruagem obscura que virá me buscar
Vira busca-los também!
Que eles saibam que será a mesma terra a nos decompor
A mesma morte a nos apavorar.
Avisem eles que pra mim tudo é indiferente
Que eu não quero saber sobre seus engenhos e suas artes.
Digam para aqueles que me acham triste
Para que me ensinem a medir a felicidade das pessoas.
Que eu nem se quer sabia que havia como medir tal sentimento.
Avisem aos que me dizem ignorante
Que para mim a cultura deles é forjada em mentiras e ilusões
E não me apetece me proclamar sábio dentro de bobagens.
Avisem aos religiosos, aos que me excomungaram
Que nada mais eu posso a não ser rir de tais absurdos,
Como pode outro homem me negar um reino inventado por outro homem?
Digam aos querem ser lembrados, que eu faço questão de lembra-los
Desde que todos eles me esqueçam, e nunca remetam nada mim.
Avise os ricos que eles não devem doar nada aos pobres, devem negar!
Negar e esperar que os pobres acordem e se revoltem logo contra eles.
E não se esqueçam de avisar ao solitários e decadentes
Ao indios que vivem envoltos pelo verde astuto das florestas
Ao caiçaras que tem o mar aberto como casa
Aos agricultores que cultivam o milho, a batata
Ao criadores de cabras do sertão
Digam à eles, por favor, que eu vos invejo profundamente.

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