sábado, 25 de agosto de 2012

O novo mostrador.


Átomos de nêutrons e prótons e elétrons
Física quântica em amores hereges
Silícios radioativos espalhados
Crianças indianas bispos e mulheres

Híbridos híbridos híbridos
Algum numero sagrado sempre o persegue
Lamentação atômica na periferia
Criamos a criação que nos precede

Camadas e dimensões que pouco diferem
Sorvete gelado nitrogênio gelado Alaska gelado
Quanto mais me aproximo mais me afasto
Da matéria que fui ao fluído que hei

Sou o novo porém renovado
Colorido pelas cores epiléticas do seu pecado
Do seu novo amor
Do som do seu rádio
Das palavras
Indizíveis
Indizivelmente
Indizíveis
O novo mostrador
A nova tela
Decapitada pela corrosão temporal
Pelo temporal corrosivo
O anti vida
O anti luz
O anti amigo
Poeticamente industrializado
Enlatado e rotulado e vendido
Pelas mais variáveis perfumadas
Biologicamente consumido

Armas e explosões envenenadas
Ciência gravada em taba de índio
Milhões de partículas indefinidas
De elementos retóricos e abrasivos

Livros de leis recém criados
Suco de laranja na manhã de domingo
Espécies de vida não catalogadas
Boiam pelo mar de verniz e acrílico

É da musica que toca
A prescrição do seu médico
Seu vago remédio
Pra curar sua cólera
Abstrata
Expressiva
Multiplicada na noite (veloz)
Pela sordidez de sua vida
Carnal e desumana
Falsa e profana
Sexual
Destemida
É do vento que te corta
Te abrindo a ferida
Cheiro de vaca morta
No longo dobrar da esquina
E na rua se sucede
Seu andar em terra divina
Qual nome te daremos?
Quais serão suas utopias?
Pode ser que seja Ana
Maria, Paula
Carolina?
Pode ser que seja sonho
Querosene
Gasolina!

O gosto do gosto que escolher
Dispersa-se pelo seus paladares
Seu e do seus clones concretizados
Biogeneticamente modificados
Prontos a testar
A falar
Admirar
Amar
Em seu nome.

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