sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Meu oceano particular.


Sou eu e eu diante à mim
Percorrendo vários holocaustos
Traduzindo ato a ato
Faço bom o que é precário
No som que vem precedido
Silêncio da hora mudado
Escondidos pelas trincheiras
Vão morrendo os namorados
Disfarçados com arma e farda
São agora só soldados
Preferem o tiro ao beijo
Fazem certo o que é errado
Enquanto o céu anuncia a glória
Na terra eu, apaixonado
Meu escândalo é metal
Ano após ano forjado
Só falo por meias palavras
Códigos indecifrados.
II
A noite é menos noite sem ela
Eu me perdi no paraíso de seus braços
E perdido me escondi
Para nunca mais ser encontrado
E assim permanecer ali
Ensaiando pra ser afogado
Suspenso em pleno mar
Preso por suas pernas
Meu oceano particular
A noite é mais noite com ela
É um enlace meio embaraçado
O mundo acontece lá fora
Entre nós é reinventado
O começo do começo
Redescoberto, reencontrado
Eu me perdi perdidamente
No paraíso de seus braços.
III
A revolução acontece devagar
Vem de dentro pra fora
Até que a noite se converte em aurora
E basta uma primavera para podermos cantar
E cantamos
Enquanto as flores desabrocham
Nós cantamos
Em cada flor uma revolução
O cheiro da primavera árabe
Aos poucos vem batendo
Nessa América do Sul
Nessa nossa América do sul
Vem chegando também a primavera.
IIII
Volte ao principio
Onde começou tudo
Você se lembra?
O tempo vai passar
E nossa história ficara guardada
Muito além de nós
Como as flores esperaram
Para serem admiradas
Esse conto permanecerá
Até que alguém o ache bonito
E remeta a nós, e nos imagine
E sonhe em viver o que vivemos.
Guardo comigo teu sono em veludo
Tuas tão doces histórias
Teu confuso mundo absurdo
Não diga mais nada
Apenas durma
Que aqui eu te guardo
Dentro e além do tempo
Passeando em teu corpo
Como seu convidado
Ah, não diga mais nada
Deixe que o sono te leve e desfaça
Tudo o que não for teu
E que ao fim desse sono
Quando acordar
Nada mais tenha sobrado
Só o mergulho isolado
Em meu oceano particular.

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